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Crowdsourcing na produção de uma nova mídia.
Artigo por Bruno Bartels em abr.30, 2009, na categoria Comunicação 2.0
Apesar do nome pouco popular, Crowdsourcimg já é um assunto bem discutido e aplicado na internet, principalmente no que diz respeito a desenvolvimento de softwares e geração de conteúdos.
“O crowdsourcing é um modelo de produção que utiliza a inteligência e os conhecimentos coletivos e voluntários espalhados pela internet para resolver problemas, criar conteúdo ou desenvolver novas tecnologias.”
Leia mais sobre o termo aqui (português de Portugal).
São bons exemplos de crowdsourcing o navegador Firefox, o sistema operacional Linux, a plataforma para blogs WordPress, fora uma série de outras aplicações que vão de antivírus até complexos sistemas, como o Google e suas APIs.
Apesar de extremamente popular na internet, esse conceito é pouco percebido. Grandes exemplos dessa filosofia é o Wikipedia, YouTube, e tantos outros geradores de conteúdos.
O Wikipedia em si não é a mais completa enciclopédia do mundo. Ele é apenas uma plataforma que possibilitou a construção e organização de seu conteúdo. Os verdadeiros produtores são internautas, espalhados pelo mundo, que alimentam massivamente o site de informação, filtram o que é certo e errado, deixando-a confiável sim, apesar das críticas de quem certamente não a conhece.
A mesma coisa acontece com o YouTube, que nada mais é do que uma ferramenta de uploads, organização e compartilhamento de vídeos. O que o faz ser o que é, é a enorme videoteca que foi alimentada ao longo do tempo pelos diversos usuários. Você nunca perguntou a um amigo se ele já visitou o YouTube hoje, mais certamente já perguntou se já viu o vídeo da Susan Boyle, ou simplesmente passou o link para ele. Aliás, se não fossem os internautas, ela seria apenas mais uma concorrente de um programa de talentos inglês.- Ok, já entendido o conceito. Mas que diabos o crowdsourcing tem a ver com a construção de uma nova mídia?
- Bom, em se tratando de internet, tudo.
O jornalismo colaborativo ainda engatinha, mas aos poucos vem se tornando uma realidade. Basta estar no lugar certo, na hora certa, com uma câmera digital na mão e um belo flagrante à sua frente. Pronto, agora é só postar na internet. Pena que ainda não temos um portal sério de notícias colaborativas. Em alguns grandes portais de jornalismo on-line, essa cultura já é explorada, mas se limitam a temas, complementos, besteirol e oportunismo. Fora que ninguém ganha um centavo quando tem sua notícia publicada no VC Repórter ou outros portais com serviços do gênero.
Mídia Independente
Um bom exemplo da filosofia colaborativa para a produção jornalística é o www.midiaindependente.org. O visual infelizmente não é lá grandes coisas, parece ter sido criado por programadores. Porém as más impressões param por aí. O jornal é bem completo, com ótimos temas e comentários que deixam claro o nível cultural de seus leitores.
A publicidade segue pelo mesmo caminho. Na internet, os principais concorrentes e também aliados das agências e empresas que buscam seu espaço na rede são seus próprios consumidores. Produtores de conteúdos que a todo instante estão postando um novo vídeo, mais uma piada medíocre - ou genial -, mais uma foto oportunista ou estão simplesmente interagindo. Interação que gera muito mais que ibope. Gera discussão, compartilhamento e persuasão. Persuasão do velho e eficaz boca-a-boca, agora muito mais forte e intenso.
Na internet, assim como futuramente na TV digital, o tempo estimado para a propaganda acaba. Ninguém mais tem 30 segundos exclusivos para passar uma mensagem. O consumidor não é mais passivo.
Voltando à filosofia Crowdsourcing, o foco da publicidade online deve estar na interatividade. Não basta mais criar um vídeo bonitinho, ou uma bela composição de imagens. A publicidade tem que oferecer algo ao público. Oferecer ferramentas que o façam ter novas experiências interativas, idéias que antes de vender os encante, que os ofereça algo que o faça passar a propaganda a diante. Certamente uma publicidade que exige ainda mais neurônios e criatividade por parte dos publicitários.
Um bom exemplo dessa nova publicidade é o site jogo Jelly Battle. Criado em 2006 para divulgar a linha de teclado para games da Logitech, o se espalhou rapidamente para os sites do genero. Ao longo de quase 3 anos fez tanto sucesso que recentemente foi comprado por uma empresa com foco em jogos on-line (por isso não se vê mais o merchandising da marca e algumas outras características peculiares).
Mas o que isso tem a ver com a Crowdsourcing e onde afinal a filosofia se aplica ao internet marketing e, futuramente, à publicidade em geral?
Bom, o jogo em si não se faz sozinho, não se divulga e nem vende sozinho. Os grande veículo da publicidade são os próprios internautas. Jogadores que disputam e interagem entre si. Eles gostam do conceito, convidam seus contatos e compartilham. Pensou em viral na internet? É exatamente isso! Um investimento mínimo, se comparado às mídias convencionais, somada a uma bela dose de criatividade e interação. Pronto, o consumidor faz o resto.
E o mais legal disso tudo, e que explica a imagem de topo do site: na comunicação 2.0 não é a massa passiva ao meio, é o meio que fica passivo a massa.
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Fonte: http://comunicacao2.0.vixtime.com.br/?tag=crowdsourcing
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